Palácio da Cultura em Varsóvia - edifício de arquitectura marcadamente soviética, agora rodeado por edifícios de arquitectura moderna ocidentalizada |
PZL 130 TC-II Orlik - aeronaves da patrulha acrobática polaca baseada em Radom - Unidade exibida no Museu Wojska Polskiego em Varsóvia |
Mig-21M "Fishbed" - Radom |
Mig-23MF "Flogger" - Radom |
Míssil balístico SS-1 Scud - Varsóvia |
PZL Mi-2 Kania - Varsóvia |
Míssil anti-aéreo (SAM) S-75 Dvina de fabrico Soviético - Varsóvia |
Sukhoi Su-22M-4 - Varsóvia |
Mikoyan Gurevich Mig-29 "Fulcrum" - Varsóvia |
Por ocasião do Campeonato do Mundo de Acrobacia Aérea realizado entre 5 e 15 do corrente na Polónia, tive a oportunidade de pela primeira vez pisar o solo de um país anteriormente pertencente ao Pacto de Varsóvia.
Para o comum dos mortais ou para os nascidos a partir dos finais da década de 80 talvez não se revestisse de demasiada importância.
Para mim no entanto, que vivi intensamente os anos da Guerra Fria que pude observar, como já referi aqui no Pássaro de Ferro várias vezes, foi uma experiência única. Foi pisar solo proibido, durante tantos anos vedado por uma cortina de ferro. Poder observar in loco todos os detalhes de que me lembrava das revistas de aviação que lia ou das fugazes imagens por vezes exibidas na TV. A arquitectura marcadamente soviética e as soluções construtivas pragmáticas típicas do leste. Os pormenores dos aviões que durante anos tentei imitar nos kits à escala que construía.
Além do aeródromo onde se realizou a prova em Radom, que é uma base militar, pude deslocar-me ao Muzeum Wojska Polskiego em Varsóvia, contendo largo espólio militar das Forças Armadas Polacas até aos dias de hoje.
Ficou-me presente o orgulho de um povo que apesar de sucessivas invasões por diversas potências (a última das quais a Soviética) não se desmembrou nem se deixou vencer. De facto, a Polónia foi sempre olhada com extrema desconfiança pela União Soviética, manifestando-se essa desconfiança por exemplo, no baixo nível de material militar cedido às Forças Armadas Polacas, por receio de insurreição da Polónia contra o seu "Grande Irmão", caso tivesse demasiado poder bélico. A Polónia serviu por isso de base para forças soviéticas, mas as suas Forças Armadas próprias não eram fornecidas com material de ponta em quantidade nem qualidade.
A Polónia foi por isso, o "aliado" que mais material próprio fabricou. E o que mais problemas criou durante os anos de ocupação Soviética, ainda se o acto mais simbólico da queda do comunismo ocorreu na vizinha RDA.
E a Rússia culpa a Polónia veladamente ainda nos dias de hoje, pelo desmoronar do seu império.
Ficou-me a impressão de um país que se soube desenvolver e adaptar ao mundo ocidental que lhe foi marginal por tantos anos, mas que nem por isso se deixou vender a todas as novidades, como muitas vezes acontece. Prova disso é a reticência em aderir ao Euro e perder a sua moeda, tal como a presença na União Europeia não é consensual.
Para terminar, do museu Wojska Polskiego, guardei com especial interesse (senão emoção) a imagem dos mísseis balísticos SS-1 Scud tantas vezes vistos na TV (com os quais cheguei a ter pesadelos) e o mítico Mig-29, máquina aérea de beleza invejável, estrela maior de entre todas as expostas.
2 Comentários:
Amigo,maravilhosas as fotos.Exelentes.Paz e Alegria.Caio Augusto
Há uns anos, quando fui participar num exercício militar na Polónia, senti essa mesma sensação quando o controlador alemão me mandou contactar Varsóvia Control... Quem viveu no tempo do muro a passar para "lá" num avião de combate militar do lado de "cá".
Speedy
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